Foto: Marinha do Brasil

A operação Lava Jato começou em março de 2014 com a apuração do pagamento de propina por construtoras em obras que a Petrobras contratou por valores superfaturados.

Nesta terça-feira, 06, completam-se 5 anos desde que Emílio Odebrecht admitiu a funcionários erros da construtora que levava seu nome –desde dezembro chama-se Novonor. Então presidente do conselho de administração, reuniu os 170 executivos mais graduados em uma reunião fechada no Hotel Renaissance, em São Paulo. “Temos que reconhecer nossa parcela de responsabilidade“, disse. Anunciou um código de conformidade para a companhia.

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Aqui são apresentados os dados de 6 anos das empresas investigadas. As informações financeiras mais recentes disponíveis são de 2020.

Foram avaliadas 4 estatais e 36 empresas privadas. As perdas ao longo do período são visíveis na Petrobras e em 11 construtoras. Só a construtora UTC aceitou fornecer as informações pedidas.

R$ 563 bilhões

As empresas tiveram conjuntamente queda de faturamento de R$ 563 bilhões. É o valor acumulado que deixaram de receber em relação ao máximo registrado. O total de cada ano foi atualizado pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) até maio de 2021. Levou-se em conta o maior faturamento registrado antes do início das investigações ou logo em seguida, quando os contratos anteriores ainda estavam em vigor.

Foram eliminadas 206,6 mil vagas de trabalho nas empresas. A conta refere-se ao máximo de empregados que havia antes da operação Lava Jato e ao que as empresas passaram a ter, de acordo com o registro mais recente. Não foram consideradas eventuais variações ao longo do período, para mais ou para menos.

As empresas investigadas na Lava Jato pagaram menos impostos com a queda no faturamento. Os balanços das construtoras são opacos quanto a esse item. Dados usado foram relatados pela UTC como referência de queda no desembolso com tributos para todas as construtoras com base na redução de receita de cada uma. No caso da Petrobras, levou-se em conta o que foi informado nos balanços publicados pela empresa. A redução na receita de impostos em relação ao máximo registrado é de R$ 41,3 bilhões, em valores corrigidos pelo IPCA até maio de 2021.

A Lava Jato recuperou parte dos recursos desviados: R$ 4,9 bilhões no total, segundo o Ministério Público Federal. Há processos ainda em curso. As sentenças poderão eventualmente aumentar esse valor. A quantia é ínfima perante as perdas globais apontadas.

Críticos da Lava Jato veem situação preocupante: o dano econômico das investigações e condenações foi muito maior do que o necessário caso se tivesse optado por preservar, nas empresas investigadas, os negócios isentos de suspeitas de ilegalidades.

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Muitas tiveram que abandonar obras não relacionadas às investigações sobre corrupção em contratos com a Petrobras porque passaram a ter restrições de contratação por governos ou dificuldade de financiamento.

Arrecadação aos cofres públicos despenca R$ 41,3 bilhões

Um dos efeitos do declínio de empresas investigadas pela Lava Jato foi a perda de impostos que deixaram de entrar nos cofres públicos. Com queda de faturamento, as companhias envolvidas atravessaram uma crise financeira, administrativa e de reputação desde que a operação foi às ruas pela 1ª vez, em março de 2014.

Balanços apontam para uma perda acumulada de R$ 41,3 bilhões no pagamento de impostos (em valores corrigidos pelo IPCA até maio de 2021). Falta transparência nos balanços financeiros quanto às informações tributárias.

Essa conta considera 11 construtoras (Odebrecht, UTC, Andrade Gutierrez, Galvão Engenharia, Camargo Corrêa, Mendes Júnior, Queiroz Galvão, OAS, Carioca, Nova Engevix e Techint), além da própria Petrobras.

O montante que o país perdeu em tributos é 6 vezes o valor dos recursos que os procuradores da força-tarefa anunciaram ter recuperado e devolvido aos cofres públicos até o momento.

Do Poder360.